Cruzeiro
Cruzeiro Esporte Clube: Tradição e Conquistas no Futebol Brasileiro

Conheça a história do Cruzeiro Esporte Clube desde sua fundação, a mudança de nome e até os momentos mais difíceis dentro e fora de campo
O Cruzeiro é um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, escrevendo sua história em páginas hercóicas imortais, como diz o hino oficial da Raposa.
Ostentando títulos nacionais e internacionais, os celestes também levam consigo uma legião de torcedores apaixonados, seja em Minas Gerais ou pelo Brasil afora.

Cruzeiro Esporte Clube
A história do Cruzeiro Esporte Clube
A rica história do Cruzeiro é cheia de títulos, mas também apresenta algumas polêmicas. A seguir um pouco da trajetória desse grande clube.
Qual foi o primeiro nome do Cruzeiro?
Tudo começou em 1921. O Cruzeiro Esporte Clube nasceu através do esforço de desportistas da comunidade italiana em Belo Horizonte, com o nome de Societá Sportiva Palestra Itália, em 2 de janeiro daquele ano.
Dos anos iniciais, datam os primeiros ídolos e conquistas do Palestra, como o tricampeonato estadual de 1928, 1929 e 1930.
Em 1942, após o Brasil ingressar na 2ª Guerra Mundial, um decreto de lei do governo federal proibiu o uso de termos que remetem à Itália em entidades, instituições e estabelecimentos no país.
Dessa forma, o nome precisou ser renomeado e o escolhido foi Cruzeiro Esporte Clube, em homenagem ao símbolo maior da pátria brasileira. As mudanças também atingiram as cores do uniforme.
Antes verde e vermelho, em homenagem à bandeira italiana, o Clube adotou o azul e branco, por inspiração da Seleção da Itália, a Azzurra.
Nas décadas seguintes, o que se viu foi o crescimento de um gigante, especialmente após a inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, palco onde o Cruzeiro conquistou os principais títulos da história do futebol de Minas Gerais.
Ali, começava uma história de glórias no lado azul de Belo Horizonte.
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Qual é o apelido do Cruzeiro?
O apelido “cabuloso” atualmente é a maior referência ao Cruzeiro, usado principalmente pelos torcedores para mostrar que o time dá medo nos seus adversários.
Inclusive, o clube usa a alcunha nas estratégias de marketing, algo que cai muito bem com a torcida.
Títulos Nacionais do Cruzeiro Esporte Clube
Os títulos nacionais do Cruzeiro traduzem ao pé da letra a grandeza do clube. Dentre os principais, estão 38 taças do Campeonato Mineiro (a primeira em 1926, e a última, em 2019), seis da Copa do Brasil (1993, 1996, 2000, 2003, 2017 e 2018), uma da Série B (2022) e quatro do Campeonato Brasileiro – 1966, 2003, 2013, e 2014.
A temporada de 2003 colocou o Cruzeiro no panteão dos maiores do futebol brasileiro. Naquele ano, se tornou a primeira equipe do Brasil a conquistar a Tríplice Coroa, ao vencer na mesma temporada o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Brasileirão.
A Raposa também é detentora de dois troféus da Copa Sul-Minas (2001 e 2002) e um da Copa Centro-Oeste, em 1999.
As glórias internacionais
Além das conquistas nacionais, o Cruzeiro desbravou barreiras pelo mundo, se tornando um dos maiores clubes do continente sul-americano.
No geral, sete títulos internacionais. O primeiro deles ocorreu em 1976, quando bateu o River Plate da Argentina, aplicando um sonoro 4 × 1 no Mineirão – gols de Nelinho, Palhinha e Valdo – e um 2 × 1 protocolado no Monumental de Nuñez para sacramentar a glória continental.
Demorou 15 anos para o Cruzeiro voltar a ter uma glória internacional, mas voltou com grande estilo, emplacando um bicampeonato seguido da Supercopa da Libertadores.
Em 1991, o troféu foi erguido após perder de 2 × 0 para o River Plate na ida no Monumental de Nuñez e massacrar os argentinos na volta, com um 3 × 0. gols de Ademir, Mário e Tilico.
Na segunda conquista, em 1992, uma goleada de 4 x 0 sobre o Racing no jogo de ida no Mineirão. A derrota pelo placar mínimo na volta, em Avellaneda, não fez diferença.
A segunda Libertadores da história do Cruzeiro ocorreu em 1997, após empate sem gols contra o Sporting Cristal do Peru, no Estádio Nacional de Lima, e uma vitória magrinha de 1 × 0, mas de proporções gigantes, no Mineirão.
Elivélton foi o autor do gol que sagrou a Raposa campeã da América. O time celeste também venceria a Recopa Sul-Americana no ano seguinte.
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Os grandes ídolos do Cruzeiro
O maior de todos os ídolos atende por Eduardo Gonçalves de Andrade, mais conhecido como Tostão. O craque chegou ao Cruzeiro em 1964 e lá permaneceu até 1971.
Durante esse período, conquistou o Campeonato Mineiro em cinco oportunidades (1965, 1966, 1967, 1968 e 1969), sendo artilheiro nos quatro primeiros de forma consecutiva – é o único jogador a alcançar esse feito em toda a história do futebol mineiro.
Além dos títulos, Tostão é detentor de diversos recordes, conquistados em boa parte com a camisa do Cruzeiro: maior média de gols no Mineirão, primeiro jogador de um clube mineiro a disputar uma Copa do Mundo (1966), bicampeão mineiro de forma invicta (1968/1969), entre outros.
Não por acaso, é o maior artilheiro da história do clube, empilhando 249 gols em incríveis 378 partidas.
Quem também ostenta uma história de respeito pela Raposa é Dirceu Lopes. Formado na base do Cruzeiro, o meia deu seus primeiros passos como jogador profissional em 1964.
Por lá, permaneceu até 1977, quando se transferiu para o Fluminense. Durante os 13 anos em que atuou no Cruzeiro, Dirceu Lopes acumulou títulos, grandes feitos e se consagrou como um dos maiores atletas do Brasil.
No total, Dirceu disputou 608 jogos pelo Cabuloso, sendo o terceiro jogador que mais vestiu a camisa do Cruzeiro.
Além disso, marcou 223 gols, aparecendo como o segundo maior artilheiro da história do clube.
A lista também passa por nomes como o do goleiro Fábio, que defendeu o Cruzeiro em mais de 900 jogos, Alex, destaque na campanha da Tríplice Coroa, em 2003, Zé Carlos, campeão da Libertadores em 1977, e Piazza, campeão do mundo pela Seleção Brasileira na Copa de 1970, no México.
Os grandes técnicos
Indo do campo à beira do gramado, o Cruzeiro tem um vasto número de treinadores expressivos.
Como, por exemplo, Vanderlei Luxemburgo, multicampeão pelo clube, Marcelo Oliveira, bicampeão brasileiro durante 2013 e 2014, e Levir Culpi, comandante da heroica campanha na Copa do Brasil de 1996.
Já Paulo Autuori, comandante do título da Libertadores de 1997, e Ênio Andrade, que venceu a Supercopa Libertadores (1991) e a Copa Ouro (1995), também merecem pelo menos menções honrosas.
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Mineirão, a casa dos torcedores cruzeirenses
A história do Cruzeiro está ligada diretamente à construção do Mineirão. Foi inaugurado em 5 de setembro de 1965, durante amistoso entre a Seleção Mineira e o River Plate, diante de mais de 73 mil espectadores.
Dentro de campo, o combinado estadual venceu por 1 x 0. No dia 7 de setembro (data da Independência do Brasil), foi realizada a primeira partida da Seleção Brasileira no estádio, contra o Uruguai. Os brasileiros venceram por 3 x 0.
O primeiro clássico realizado no estádio Mineirão foi pelo campeonato mineiro de 1965. O Cruzeiro vencia o Atlético por 1 x 0 quando, aos 34 minutos do 2º tempo, alguns diretores atleticanos, alegando a marcação de um pênalti irregular, invadiram o campo afirmando que a falta aconteceu fora da área.
O jogo foi encerrado após o Galo ter vários jogadores expulsos e o Cruzeiro ficou com o título mineiro daquele ano, abrindo a Era Mineirão.
O Cruzeiro disputou dois jogos finais da Libertadores no estádio, vencendo em 1997 e perdendo em 2009.
Também disputou no estádio parte das séries finais de 1976 e 1977. Em 21 de dezembro de 1976, o Mineirão sediou o confronto final da Taça Intercontinental, disputada entre Cruzeiro e Bayern de Munique – os alemães levaram o título.
Também foi palco de três títulos da Raposa na Copa do Brasil, em 1993, 2000 e 2003.
A torcida do Cruzeiro, conhecida como China Azul, é muito mais do que um simples apelido. Ela representa uma legião de apaixonados, verdadeiros guerreiros que vestem as cores azul e branco com orgulho e fazem do estádio sua verdadeira casa.
A rivalidade entre Cruzeiro e Atlético-MG
O Cruzeiro tem o Atlético-MG como seu grande rival na história, rivalidade que começou como uma preliminar de América-MG, grande campeão da época, e Luzitano, no dia 17 de abril de 1921, no antigo campo do Prado Mineiro.
Esse foi o primeiro jogo entre Galo e Raposa, que na época ainda era chamado de Palestra Itália, o segundo embate entre Palestra e Atlético, em 15 de maio de 1921, terminou com vitória alvinegra por 2 x 1.
Assim por diante, os clubes foram se enfrentando até estabelecer a principal rivalidade de Minas Gerais na década de 1940. No histórico geral, o Cruzeiro obteve mais troféus em competições nacionais e internacionais se comparado ao Atlético: Copa do Brasil (6 x 2), Campeonato Brasileiro (4 x 2) e Copa Libertadores (2 x 1).
Jogos inesquecíveis do Cruzeiro

Jogos inesquecíveis do Cruzeiro
O torcedor cruzeirense tem na mente uma série de partidas memoráveis. A primeira e talvez a mais importante delas ocorreu em meados da década de 1960.
Na final da Taça Brasil de 1966 – título que depois seria reconhecido como o de Campeonato Brasileiro -, a Raposa deu um verdadeiro show.
O duelo marcou o histórico time de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Evaldo e cia goleando o Santos de Pelé, no Mineirão, por 6 x 2.
O grande personagem foi Dirceu Lopes, autor de três gols. Tostão e Natal marcaram um gol cada. Zé Carlos, zagueiro do Santos, fez contra.
Toninho Guerreiro anotou os tentos do Peixe. O título viria em outro jogo histórico, uma virada sobre o Santos por 3 x 2, no Pacaembu.
Onze anos mais tarde, em 1977, aconteceu o primeiro título continental. À época, o campeão da Libertadores era decidido numa melhor de três, caso os times vencessem um jogo cada. Foi o que aconteceu diante do River.
No jogo de desempate, em Santiago, no Chile, a Raposa abriu 2 x 0 (Nelinho e Eduardo marcaram), mas cedeu o empate aos argentinos, que deixaram tudo igual graças a Más e Urquiza.
Quando tudo parecia definido, Joãozinho estufou as redes portenhas e deu a taça ao Cruzeiro.
A segunda taça da Libertadores veio também num ano terminado em 7: 1997. Vinte anos depois da primeira conquista, a equipe celeste ficou no empate em 0 a 0 na partida de ida.
No Mineirão, Elivélton marcou o gol que levou o Gigante da Pampulha ao delírio, selando o 1 a 0.
Em 30 de novembro de 2003 veio a conquista da Tríplice Coroa. Já campeão do Estadual e da Copa do Brasil, o Cruzeiro recebeu o Paysandu num Mineirão lotado.
Zinho, em cobrança de falta, abriu a contagem, enquanto Mota ampliou já no segundo tempo – Aldrovani descontou. A Raposa fechou o campeonato empilhando mais de 100 pontos e mais de 100 gols. Histórico!
Já na Copa do Brasil, os cruzeirenses ostentam o bi-campeonato entre 2017 e 2018. Na ida, um jogo de ataque contra defesa, triunfo por 1 x 0 graças ao gol de Thiago Neves, de cabeça.
A volta, em Itaquera, teve o mesmo resultado: vitória cruzeirense por 2 x 1, tentos de Robinho e Arrascaeta, tendo Jadson descontando.
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SAF, ressurgimento e perspectiva de futuro
O momento atual do Cruzeiro pode ser considerado como uma espécie de ressurreição. Após o rebaixamento para a Série B – correndo até risco de cair à Terceirona -, o clube se reergueu.
No ano de 2021, se tornou a primeira SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Brasil, sendo vendido para o ex-jogador de futebol e empresário Ronaldo Fenômeno.
O fato curioso é que Ronaldo foi revelado pelo Cruzeiro e décadas depois se tornou dono de 90% do clube, sendo mantido os outros 10% ao conselho do Cruzeiro.
Atualmente, a Raposa disputa a elite do futebol nacional, brigando por vagas em competições internacionais, como a Copa Sul-Americana e a Libertadores.
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Com muitas décadas de glórias, o Cruzeiro tem passado por momentos turbulentos e transformações nos últimos anos. O clube saiu de atual campeão da Copa do Basil para uma equipe endividade e rebaixada, para depois de alguns anos se transformar em SAF e retornar a elite do futebol nacional.
Com uma nova administração e a forte tradição do clube, o Cruzeiro tem tudo para se recuperar nos próximos anos. Acompanhe a evolução dessa históra no Click Esportivo!